Me achando

Onde foi que eu me perdi?
Quando foi que eu virei aquela esquina e me esqueci?

Deixei um pedaço meu no caminho. E segui sem olhar pra trás.

Decidi assim, ou foi descuido meu?

Estes rastros que deixei no caminho, eram de quem?
Entre as risadas e lágrimas, amores e dores,
o que ainda era eu?
Ou era só a metade mim?

Quem havia seguido?
Ela ou eu?

Quem parou no tempo;
e quem olhou pra frente, sem perceber que seguia a rua errada?

Quem havia partido, partida?

Seria aquela a minha rua errada
ou era este o exato caminho que me devolveria
a mim mesma, me esperando do outro lado?
Mais sábia ou mais solitária?
Mais sedenta ou mais vazia de mim?

E se ela havia ficado,
quem haveria cuidado daquilo que não pode seguir,
quando eu virei as minhas costas pra mim?

Eis que aqui, numa outra esquina,
- ou seria a mesma - calejada pelo tempo,
um milagre acontece:
eu me esbarro em mim mesma.

Ela que me procurava ou eu fui quem a encontrei?

Sou pega de surpresa.
Me olho e não posso acreditar.
- Você estava aqui me esperando?

Eu olho completamente abismada
porque só vejo: beleza.

Que beleza era esta que eu não via antes?

O que havia acontecido com meus olhos,
no caminhar pelas ruas erradas, no calejar do tempo,
que me fez ter des-coberto a visão?

Olho com os novos antigos olhos,
sem a cegueira da minha obstinação,
sem as exigências da minha perfeição,
e me vejo, ali: inocente.
Despida, com frio e com fome.
Livre do pesar dos meus julgamentos.
Essa era quem eu não pude ver.
Ouvir, sentir, todo esse tempo.

Eu olho de novo e me encanto.
Arrepio, lamento e choro.

E então eu sorrio pra você.
Quer dizer, pra mim.

E me reconheço.

Eu não fui a lugar nenhum.
Eu havia esperado por mim, todo esse tempo.
Esperado esse momento.
O reencontro da visão, sem a ilusão.

Era eu quem eu buscava,
na cansada caminhada,
na busca por algo fora de mim ,
um outro alguém,
que me desse essa intimidade.

Eram os meus olhos que precisavam
se cegar do que não era eu.
e se abrir, para dentro, para ver o meu coração,
com o o meu coração.
Para ver a verdade.




Sorria porque é amor

Mesmo enquanto tudo desabava, houve espaço para uma pergunta:
- Porque você está sorrindo?
- Porque eu sinto amor.
a vida a gente que cria
se não ela mal-cria a gente

preto e branco

um sim e um não
o que é, e o que não pode ser.
o que é o não, se não o sim para o oposto?
um tem muito o que outro não sobra.
um passará leve, o outro marcado

um enxerga de olhos fechados,
e o outro cega de olhos abertos.

- quem será o primeiro a dizer que é cor?




tempo

tempo porque é tempo
tempo porque dá tempo
tempo que vira templo
templo que vira solidão

tempo pro que dá tempo
tempo que é muito tempo
tempo que já faz tempo
tempo que traz conclusão

tempo que fluiu como o vento
tempo que dá vazão

eu me vejo caminhando sozinha
quando chego lá pergunto:
era você todo o tempo?

zoodiacal

munida de vênus
vestida de marte
me movo mercúrio

se você me deixa

mas se você me deixar
eu serei tão feliz
em apenas amar
todo esse Amor.

o segredo entre as pernas

todos guardamos um segredo entre as pernas
por favor, olha pra mim quando eu não consigo me ver?

minha alma é

minha mente não é livre,
só minha alma é.
o meu não
é um sim.

o meu não
é o meu sim.

amor que diz não

não quero te sufocar
meu amor
com todo o meu amor

mas se meu bem-querer demasiado
estraga e enjoa

seria o amor, mas do que dizer sim,
então
saber te dizer não?
você olha
ou está sendo olhado?

afinal

as coisas são do jeito que estão
até que não estejam mais

momento de recolher

não deve-se desperdiçar o momento de recolher
é preciso saber acolhe-lo

é indicado desacolher
o que não é pra si de boa escolha
re-colher um pouco mais o sorriso da face
para então acolher a alma dentro do corpo


chegada do poema

silêncio!

os poemas quando chegam
se não alimentados
morrem de fome - rapidamente!
é preciso escuta-los
rega-los, nutri-los,
expressa-los!

eles vem em forma de energia
e sabem de um lugar
entre a mente e o coração
onde palavras
tem forma de emoção!

Como lidar?

com tamanho amor?

dos suspiros

um suspiro
uma pequena tragédia instantânea

sou apenas um pedaço 
inteiro de mim



das palavras não ditas

quando uma palavra minha
sai de mim
e entra em ti sem pedir
quase te invadindo

percebe que eu nem abri a boca
e estou apenas te sussurrando por olhar

um dia de lápis na mão

caderno pra abrir

árvore pra contemplar
passarinho pra assoviar
cadeira pra sentar

passa a motoca
passa o carro
passa a moça
e passa o cão

as havaianas pra pisar

olhar que olha
e é olhado

perna lisas
para passar as mãos
cabelos pra sentir nas costas
respiração pra inspirar

coração pra esperar

meu coração tomate sem pele

meu coração tomate sem pele
vermelho
ácido e doce
desprotegido
fere fácil
desmonta na mão
sensível
sente tudo
qualquer mudança no ar

suscetível
temeroso
e corajoso.

criação do coração

a vida narrada pelo coração
imagina que sente
e sente porque imagina.

a criação do coração,
fala pulsando.

o poeta

o poeta é o desenhista do coração
o artista da alma
que faz música de falar

dos milagres

Há um milagre em tudo isso. Aguarde.

Há um milagre em cada pessoa. Encontre.

Há um milagre em você. Acredite.

é de lá

Aqui nos revemos.
Aqui nos re-conhecemos.
Aqui, vivemos,
E aqui, nos deixaremos.

Alguns ficam, todos se vão.
agora eu sei - só permanece vivo
dentro do coração.

Mas saiba que é de lá...

Lá que conhecemos
É lá que nos prometemos.
E é lá onde
nos amaremos - para todo o sempre.

O rio

E então ali um rio.

eu conheço este rio
com ele sempre uma hesitação
- aprofundar-se nas suas águas
na iminencia do afogamento.

geladas ou mornas,
calmas ou tensas?
esse é o segredo do rio
e ele está aqui
na minha frente, novamente.

ele me convida pra entrar.
a terra, abaixo de mim, quase se abre,
todavia meus pés buscam o chão
querem raízes
fincar seus passos na inércia
da comodidade
que a terra firme oferece.

o rio corre
é todo expressão
ele chama.

e eu muda, seca, parada,
olho.

o rio dança
e eu espero.

o rio muda
e eu vejo o rio mudar.

o rio se oferece
ele é todo oportunidade
é um perigo arriscado
de cheiros de aventura ousada

ele é o que eu não sei

eu não posso agarrar o rio
eu não posso me agarrar
quantas vezes eu preciso não pular para que ele seque?

mas eu gosto do rio,
ali,
na minha frente.

inquietação,
ele ri.
logo prontamente me olha com lástima
quanta água vai passar até eu notar que estou molhada?

o rio passa e eu deixo passar.

o rio transporta
carrega
leva longe.
o ciclo das águas
pedem pra eu participar.
eu evito olhar.

eu não quero entrar no rio.

eu me pergunto de novo
eu quero entrar no rio?

sem demora me dou conta: o rio é tudo que existe.
ao redor de mim: água.
água por tudo que eu vejo
água dentro de mim.

o rio transborda.

você

eu preciso de você, pra sentir dentro de mim, como é sentir você
eu preciso de você, pra mostrar como é enxergar aquela que olha
eu preciso de você, pra enteder o amor que se carrega dentro
eu preciso de você, pra espalhar o que já não cabe mais, e transborda
eu não sou só, não sou só eu.

eu durmo numa cama no chão

eu durmo numa cama no chão
pra sonhar perto da terrra
pra sentir o cheio de verde
pra ouvir o mundo pulsar

eu durmo numa cama no chão
pra que nas noites
eu fique perto das minhas raízes
e para quando acordar, me levantar
e não descer os pés

eu durmo numa cama no chão
porque é pra baixo que tudo corre
porque eu vejo todo o céu na distância
e eu sinto tremer o solo quando passam os homens

assim eu vejo o deus de longe, o todo
e fico com a altura que sou
porque eu sou pequena no mundo
pra ser grande na alma


meu cabelo

meu cabelo é um pêlo
que nasce da minha cabeça

me protege do sol
me protege do vento

as vezes tem brilho
as vezes está seco

as vezes é macio
cai suave no rosto
acaricia a mão que passa
as vezes não tem jeito
ele embaraça
é como eu

as vezes tem volume
e voa
as vezes só prendendo
pra sair na rua

ele carrega minha personalidade
ou eu carrego ele?

na verdade ele é só pêlo
e pelo pêlo do cabelo
eu mudo eu no meu espelho

origem

um dia eu serei só amor.

tudo bem

então está tudo bem

tudo bem

sempre bem

pra sempre tudo bem.

queria dizer

Eu queria te dizer
te escrever...te falar
Mas eu não sei o que

Ah, se eu pudesse te dar meu coração
e tu recebesse por inteiro
e cuidasse como mãe

Ah se eu pudesse te mostrar meus caminhos e tudo que eu sinto agora
E tu pudesse ouvir tudo e compreender

Mas acho que tal tarefa é impossivel
eu nem saberia te dizer de fato do que se trata

nessa distância entre nós
existe um espaço a preencher
seriam com palavras?

Preencheriamos com sons vazios?
Que representam só o que podem significar por quem as tem?

é um jogo vazio...

e já estamos tão cheios

e eu finjo ter paciência

É impressionante como as vezes só os loucos e os artistas entendem de fato o que é isso de estar vivo agora, e eles insistem e cantam isso há séculos, mas acho que ninguém escuta. Acho que a gente não presta atenção porque notar que estar vivo é tão intenso que chega a doer e parece que por alguns segundos a gente vai perder o chão e se entregar pra loucura, da imensidadão que tudo isso é. Eu diria que isso até é uma falta de respeito a nossa condição de SER humano. Estar sendo, existindo, neste que é o melhor tempo que haveria pra existir, o AGORA.

Acho que todos deuses nos invejam.

São sempre as horas, os minutos e todos os segundos, e inspirações seguidas de expirações e piscar de olhos, e salivar, constante. Fora todo o sangue que circula, e toda a esperança que se carrega momento a momento de viver mais um pouco. O futuro. Uma esperança do tempo.

É do tempo que a gente vive. É do coração que se faz relógio e se vive pelo bater das horas, dele. E sempre pode ser sincero.

a insatisfação

a insatisfação me condena
me prende numa cela pequena
nela vivo a vida pequena

sussurra
remoendo o passado
comparando o presente
prevendo futuros

ser ou estar
condicionado a ela
é estar só e morto
é estar torto
insatisfação é meu veneno

ela não fala
fica parada me mastigando
me agoniza e fere
fere o espelho da vida
incompleta, é a trilha do mau viver

ela mata
tem prazer em me ver mal
ela quer ser minha razão
tirar minha vida
me deixar no ar
presa

mas eu não deixo não

um perdão

e tudo está perdoado
santificado
esquecido
devorado pelo tempo
e tudo permanece belo

o silencio

o que eu sinto eu nao posso dizer
não é pronunciável em sons de entendimento
eu posso grunir
eu posso beijar no seu ouvido
eu posso ensurdecer

o que eu sinto é extasiante
não é complexo
pois é um só

eu sinto
eu sei
eu sou
nós somos

escute:
agora,
e agora,
e agora,
e agora,
e agora
...

a teia

como essa teia me laça
me enlaça
me faz sua
me protege
me tem
e não me quer

e eu só posso quere-la
sem tê-la

essa teia tem um eu
essa teia dança
balança perfeitamente
equilibra
essa teia une
cria

essa teia me fascina
me apaixona
me atrai
essa teia tem um cheiro de beleza

essa teia não tem fim
essa teia não tem nós

deixa eu ir com a teia

este poema não é meu

este poema não é meu
este poema é maior

é o poema escrito pelo sol ao beijar minha pele
quando eu saio pra rua a procura de vida
está escrito pelo vento que vai dançando com as arvores
porque pode
é criado quando piso com devoção meus pés no chão
porque é pela raiz que a grandeza se oferece

existe desde que a primeira estrela
decidiu casar com o infinito
só pra amar mais um pouquinho

é o poema do ar que se respira
só pra renovar
e do sangue que corre
num umedecer que não deixa morrer
é o poema das mãos que entrelaçam
quando uma energia entra na outra,
mistura.

o que se escuta é o sussurar de um poema único.
A única canção
quem carrega um poeta no coração pode escutar
é o poema da união

ato libertário não espontâneo

se sentia presa, na verdade nem sentia, apenas andava por aí carregando pesos amarrados aos pés, puxando correntes em corredores sem vida. A vida estava pesada, e ela nem sentia. Nem sentia que já não vivia, era tudo assim mais ou menos. Ela estava fingindo. Dizia para si mesma que tudo era tudo que havia de ser, que não deveria esperar por muito mais. E não esperava, contentou-se, achava-se feliz. Mas este feliz inventado foi como socar aquele gosto sem sal dum contentamento desalegre garganta abaixo, dia após dia. Ela nem sentia. Um dia acordou enjoada, vomitou. Vomitou raiva, desamor. Sobrou, nada. Por alguns dias viveu vazia, operando num jejum de sentir, nem cheiro fazia a memória funcionar. Era liberdade, que veio forçada, mostrar sua força, devolver o gostinho de vida que faltava. Ela se lembrou do que sempre soube, nasceu borboleta. Agora ela podia voar. Agora voava tão bela, é de se emocionar;

meu poder

a palavra é liberdade
o sentimento de plenitude
a ordem: aceitação completa
Esse é meu compromisso, ele é só com o amor

descobri a fórmula
esse é meu poder
Por que as vezes
ME esqueço?

violência e leveza

essa é a minha violência de ser.
desentrelaçar tantos nós possíveis,
com meus dentes.

devorar a verdade inata de tudo.

porque eu digo o que falo
por querer saber em voz alta,
quase num berro,
nada sutil,
do que sou feita.

e eu sinto que quero mais,
pra sempre,
em pleno contentamento.
porque existe em mim também
a opção de ser leve.

existir

- eu só existo agora!

(precisava desabafar)

eu quero vibrar!

eu quero vibrar
escolho vibrar alto
regular, pulsante

quero vibrar como universo

o amor eterno

eu tenho a eternidade
eu tenho todo tempo do mundo
por isso não me preocupa te perder
agora

que feliz será
te esquecer
e te lembrar
teu amor vida após vida
um reapaixonar eterno

eu tenho toda eternidade
e sou o tempo
em cada piscar infinito
tudo completo

só assim a paz

e não é isso vida?

minha vida eterna
é o meu amor que nunca nasceu
que nunca morrerá
ele só é

permanece

eu sou a paz

eu sou a paz que eu quero pra mim
eu sou a felicidade que eu quero dar
eu sou o amor que se pode sentir
eu sou um deus que pode se tocar

que da minha boca só sai a mais bela verdade

antes que a gente envelheça

Se eu aprender
ouvindo
o que já conversamos por olhar
o que já cansou de não ser dito.

Se eu aprender antes que seja muito tarde
antes da hora de dormir
pra não somar espaço na cama
para não sentir sozinho um dormir e acordar, junto.

se eu aprender antes daquele dia
o dia em que a gente se prometeu
que a gente disse que queria a vida toda para nós
– e o tempo parou.

Se eu aprender.

Te peço que me perdoe se for tarde demais
para aquele papo que adiei
por falar das coisas outras
mas então se não for tarde demais
e o tempo não desgastou
a visão, a audição e o coração
veja e entenda
por todo esse tempo, eu estive tentando.

entenda

entenda-me
não é tristeza
é a minha tristeza
é da minha natureza
que é o bater de mim

é o meu peso
sobre o peso da vida
o peso que só carrego
peso que só eu carrego
que me distância de ti
que é uma chance de aproximação

e então a minha liberdade de sentir
é o que eu tenho
é o que eu não resisto
é o que peço
é o que nos salva.

A falta de, me incomoda. Prefiro agir pelo exagero.
Então opera em mim o dom de preencher espaços; de tudo que está, e agora estava:
Vazio, Em Branco ou em Silêncio.

seca

Ela estava um pouco seca. Seca de amar, seca do amor. Ali onde corria antes, pouco antes, a pura água sagrada do amor, agora se encontrava apenas terreno árido, seco e vazio. E nada crescia, nada se pronunciava. Mas, ela, sentia o secor, sentia desidratar. E como mera observadora, apenas testemunhava aquilo tudo com tristeza, de quem vê um jardim morto, onde antes já houvera tanta flor e, cor. Ela estava triste.

óculos

Ao franzir a testa, ela testemunhava o próprio nó da garganta contrair e pedir alivio.
Queria sair da dor e liberar aquele musculo. E por ultimo, nao queria aquela ruga incomoda e óbvia ali: a marca fincada na testa - talhada vinco a vinco, para lembrar sempre dos dias em que foi fraca e se rendeu
mais uma vez a amargura, ou de apenas quando esquecera os oculos.
E os dois são tao burros. Os oculos e a amargura.

você pra mim sou eu;

...E ela se perguntava ali sentada: Quem é você?
Bom, você é você. E quem é você pra mim?
Tinha que questionar. Eu sou o seu pior e o seu melhor.
Menos mal.

uma vez

O que está acontecendo - pensava ela. Tudo isso de ser , e estar, ali, parecia tão comum, mas ali, agora, o comum também estava fora do lugar e encomodava.
Pensar em viver, conviver, precisar existir era pesado; não encontrava ar, nem espaço para esse fardo.
Sim pois agora tudo isso significava apenas isto, um fardo.
Um fardo, grande, escuro, ácido, áspero e conturbado.
Ah, a vida um dia fora simples. Mas tudo isso voltaria a ser. Era de se esperar.

alma e cura

Porque é da alma
que correm as lágrimas
e só daquelas puras que escorrem
se bebe a água de muita sede.

Porque é sozinho e seco
o percurso da paz
para que se saiba
que antes de aguar a cura
o coração precisa de alma para regar.

por amor

que se olhe pra mim
e para os outros todos
e que se veja alem
do que os olhos querem ler

que se abram as portas
e os corações
que se fechem as mãos em apertos
e os braços em abraços
e que as bocas se calem em beijos
e que se ouça
um pouca mais do bater do outro ser

somente para ser
um pouco mais
do que já se é
sendo um pouco de cada um,
por amor.

decisão

pronto, neste ponto, eu decidi.
foi feita por mim, e agora me repito, uma decisão.
Ou melhor, agora eu a tomo.

entao devo ser bem explicita e pontual
pois não prentendo voltar atras.

nao sei ainda o quao sincera eu posso ser, mas o importante
é que eu, a mais interessada, não se esqueça nunca
disso tudo que hoje, por pensar demais, eu me proponho.

posso contar agora
que essa decisão
não é de sofrer
e nem de sentir
é de ser

dentro da minha cabeça

eu sou as vozes dentro da minha cabeça.
eu sou as vozes dentro da minha cabeça?

eu sou o meu melhor
e o meu pior.

mas não sou eu.

E tem tu

em tantos outros momentos
ou em todos
e agora
que me vejo sem muito
além de poucos bons amigos
tem tu.

tu que me tirasse
e me desse tanto
tanto daquilo que eu precisava
que eu te pedia em silêncio
que me deu mais do que eu achava merecer
que me tirou a verdade
e o pouco que me valia
tu que fosse pra mim
de poucas alegrias.

foram dos sentir perto de ti
apenas
que a alegria veio por
lembrar
não por existir
mas que essa alegria vale mais
que antes nada sentir

então
no meu caminho
tenho pouco
e vou fazendo muito
disso que tenho
mas tu
que eu tenho
e assim tu me tens
temos muito
e pouco
mas sempre temos, nós.

algumas observações

toda mudança é uma mentira
até que se começa acreditar nela

que a mentira de cada um seja sua melhor verdade.

----

todos os dias
fecho os olhos
e pergunto se hoje é o dia que eu vou morrer.

logo
me sinto imortal
até que me provem o contrário.

---

sobre o sentido da vida?

só sei que ele existe
por isso
não parei de procurar.

---

só quem sabe bem de si
sabe bem da vida.

fome e pressa

eu preciso do sangue
e da gota do suor
eu preciso dum coração pulsante
na minha mão
eu preciso morder a carne
eu preciso arranhar

eu preciso tocar e perfurar
e me misturar
e penetrar
nadar e nadar
e continuar
esfregar a pele contra o rosto
e sentir a vida
por que eu tenho
fome e pressa.

rapidinhas III

tenho só um propósito
...


preciso melhorar ele.


---


que preço estou pagando

que preço?


---



deixem me afundar
não me socorram se eu desmaiar
não me ressuscitem
se eu não acordar
deixem que a vida
dá um jeito todo dia de me
matar.

acordar.

---

eu escolho viver

eu escolho consciência

já!

abraço

Eu só quero uma abraço
um abraço que dure a vida toda
que tenha cheiro gostoso
que seja macio, calido e gentil

eu quero um abraçar
constanmte
firme, forte e preciso

quero um abraço apenas
um que me faça sentir segura
daqueles que eu solte todo peso
e que seja toda cura

uma abraço em que seu possa caminhar
sem medo de errar
um abraço pra esquentar

é pedir demais?

condicional humana

eu me liberto
limpo
e purifico
de todos os crimes e penas
e agora
sou apenas

mais uma
em liberdade
condicional.

pecado e alma

No dia de hoje
eu renuncio de tudo isso:
de saber e comprovar.

Porque duvido
que existam
respostas cabíveis
para
os
pecados
que
as almas
pedem
para
os corpos
alimentar.

coração novinho

eu quero um coração
novo e perfeito
com carinha de fofinho.

eu quero um coração novo
daqueles de criança
que mesmo quebrado continue
vermelinho.

eu quero um coração pulsante
que nem aqueles
de namoradinhos.

eu quero um coração não fumante
sem câncer e todo lisinho.

eu quero um coração
amiguinho
que vem nas caixas de bombons
acompanhado de cartãozinho.

eu quero um coração novo
que seja do tamanho certo
mas que caiba meu amorzinho

inteiro

Te faço de mim
em ti
eu mesma
e só te ofereço
o
por inteiro
porque
a
metade
para mim
já é
você.

imploro

eu peço

na verdade eu imploro

pra saber
o que eu ainda não sei



sobre tudo isso.

é preciso senso de humor

sim como tudo isso é engraçado

as abelha e as moscas,
que loucas!
os carros, celulares e bolsas,
que necessários!
os chapeus e copos,
mais os chapéus que os copos.

a unhas pintadas,
por que não são arte
os cigarros e as cenouras
que se levam a boca
os passaros e plumas
que sabem voar

e as minhocas,
nao nos esqueçamos das minhocas
os cangurus,
pelas bolsa
os cabelos,
por que são peso morto
os relógios
para quem possui o tempo
e o tempo e as horas,
como que se pudessemos contar e nomear o agora.
e também os segundos, que servem pra prender a respiração,
quando as vezes minutos
e nao muitos.

os pelos,
por que não admitimos
e mais todos aqueles que moram na gente
sem pagar aluguel.

e as minhocas.

perdi

perdi
e procuro por ai
uma antena
invisivel
que faz parte de mim.

sem ela
bem
...
sem ela
perco a sintonia.

são dois então
perdi a antena
e a sintonia.

pra não dizer mais:
a música parou.

preciso de ajuda

a mais rapida
e conclusiva

a mais carinhosa
e compreensiva

preciso da ajuda de um senhor
um senhor paciente
o senhor do tempo
preciso que ele me fale um pouco
o por que do seu encargo
e dos momentos
excedentes.

preciso de ajuda gratuita
ou que me cobrem mesmo
pode ser em sanidade
para que aja
esforço meu
e que
nem parta de mim alimentar
aquilo de desistir

estou ficando preocupada
estou ficando.

e estou desajudada.

os dias estranhos


os dias estranhos

sinto não mais
para não dizer
que apenas: não.

que não haja engano.
serei mais clara
sinto apenas
os dias estranhos.

sinto o não sentir
de engulir seco
de acordar dormindo
de ser pessoa
e ser humano
mas ser
sem o mais importante
o sentir.

sinto fome
e ainda frio
sinto as vezes
sono
as vezes posso até
me sentir febril

mas o que importa
é que
...
o que importa?

acontece que esses dias
essa semana
essa hora
esse agora
me é estranho
não sou sua amiga
não o vejo
é isso
e nem vejo
e queria saber se alguém vê
que também não vê.

rapidinhas II

mas por favor
que me digam pelo menos em sonho
mesmo que eu esqueça :

o que está acontecendo?!


***



JÁ SEI!
Quero mergulhar!

e não para de sangrar,
sangrar.
sangrar.

***


queria poder pedir cura
e mandar: SARA

mas não é dor nem ferida

é vazio
escuro
e frio

quase nem é.


***


alguém ai me explica?

***

se vem de mim
por que é tão ruim?

se é de dentro pra fora
por que é impossivel conter
o momento em que
aflora?

***

só eu sei
por que eu estou muda
e surda
dentro de um ser
que me diz
que sou eu
só escuto a ele
eu mesma?
não encontrei.



***

onde foi que eu errei?




fraquejo

oh sim eu te ouço
e como te tenho apreço
sim és meu querido
e sim tu és belo e honesto

é que sou eu
quem já não sabe
não de você nem de mim

não sei se esqueci
ou se nunca soube
mas é que algo
me escapa
e por isso
eu padeço.

tens paciencia pra mim?
me espera voltar?
me ajuda então
achar dentro de mim
dentro do existir
da caixa
das coisas que estão
o que eu procuro
se não te prometo
enlouqueço!

;

eu te amo
tenho saudades
e você está aqui
do meu lado.

razão, sensibilidade e liberdade

não existe nenhuma razão
em nenhuma sensibilidade

por que esta está contaminada:
por tudo que se sentiu
por vaidade
ou pela falta de.

que a vaidade seja
equilibrada
a ponto de neutralidade
para que seja correto sentir
e então
só então
abrir mão da razão.

e talvez
só assim
chegar mais perto
da liberdade.

malemolência

que me chamem de impulsiva
por que eu diria intensa
pois existe
tanta
razão e emoção
na minha malemolencia

por que eu acho que é preciso
de jogo
de jogo de cintura
é preciso de gingado
e sapateado
e muita mas do que se imagina
de rebolado!

chuva

ah que doce é o perfume da chuva
de todos eles
talvez o que mais me agrada

que suave é a chuva dos dias
que vem pra renovar

venha até mim
lava meus cabelos
lava minha alma
lava minha pele
lava meus desejos

toca em mim
com tua presença úmida
pra que eu possa florescer
me embebedeça
para que eu possa me alterar
me afoga na tua essência
para que eu possa renascer

e traga depois o sol
para que eu possa me secar
e secar
e secar
e só por ti aguardar
novamente.

ciúmes

por favor
não me tenhas ciumes
não te magoes
com meus maus custumes

eu te quero sim,
em muitos instantes
mas acontece que tem vezes
que me encontro distante

é triste ficar só com a memória
mas seria tão grande falha
se não pudessemos
agir pela própria glória

me persigas enquanto puder
me encontre em você
naquela parte mulher

peça que eu venha pelo ar
eu sei que não demorarei
muito em breve
eu vou estar.

encarando o mundo

as vezes eu preciso de um tempo

as vezes eu preciso só mais
um minuto.

não,
eu não quero ir.
eu quero ficar.

as vezes eu me arrependo de tentar me preparar.
nunca se está preparado mesmo

que bobagem
eu só estou tentando me enganar.

felicidade

e quem não tem medo da felicidade
que atire a primeira pedra

afinal
o que fazer com ela?

rapidinhas

quando eu consigo entender
já é hora de dormir
aí quando eu acordo
esqueço tudo

terrivel não?


***


eu sou um bloquinho de notas

que ama, pensa e tem opiniões


***

sono sono sono sono
venha sono venha
venha até mim sono
sono sono sono
me seduz

como é bom dormir as vezes


****


e como dói tudo isso de ser
e também como é belo
tocar na existência
e apenas viver.


***

para os curiosos:
estou dando

um tempo,
ou não.


***


eu quero ser simples

simples!

eu disse simples!


***

quando na minha cabeça
não para de chover
molha
molha
molha

é uma estrada escorregadia
tem poças
buracos
tem lama

tem até arco-iris de brinde depois.


***

esqueçam tudo que eu falei
mudei de ideia

ai, que idiota.

***

mas como pensa essa cabeça
como não para essa caraminhola
como tem coisa pra falar esse linguajar
como são curiosos esse par de olhos
como é tensa essa existencia
que problemão essa condição.

***

hoje eu mato um
hoje eu mato um
hoje eu mato um
hoje eu mato um
hoje eu mato um
hoje eu mato um
hoje eu mato um

ih... pifei.

ausência

Não ter no presente
aquilo que está ausente
É triste
sozinho
e é tão seco.

É um coçar da garganta
o pesar dos olhos
o corpo frio
é o espaço entre as mãos.

É o vazio no peito
o perder dos sentidos
mas também o que não perde o sentido?

É o embaraçar sem desembarar dos cabelos
e nenhuma mão gentil para amparar
é a falta de ar
a falta
a simples ausência
são os minutos que já são horas
os dias que já são meses
uma distância que não sabe chegar
É o quase não saber mais falar.
É nunca parar de pensar.

carta a um infiel

Não ama a mim,
quem te tem todo afeto.
Ama ela,
que te tem.

Nao espere por mim,
como esperasse por ela.
Por que por mim,
teu tempo não teras.

Tenhas tu todo amor que tens,
por ela,
e por ti,
e por tanto somente por vocês
dois.

Sente a minha falta,
como aqueles que regressam de viagem:
com saudade da patria,
e uma lembrança do percurso.

Pensa em mim com o respeito
que penso em ti.

Saibas que não amas a nenhuma das duas.
Ainda.
Por que não tens em ti,
formado, esse carater.

Mas não perca as esperanças.
a ela tu teras pra sempre,
e tu aprenderas.
Talvez mais que ela tu amaras,
mas,
até la,
por todo tempo
tu ainda vais me procurar.

tudo que se aguarda

Eu peço a Deus que me abasteça
que por favor,
nunca me esqueça.
Peço que quando chova,
me aqueça
E que quando puder,
eventualmente,
me enriqueça.

Mas eu espero pelo futuro errada,
se espero
perco meu tempo
se não planejo
ai sim me perco.
Então deixo na mão
do que é de todos,
o mais belo defeito,
deixo minha febre
a curar pelos desejos.

Ah sim eu conto com a sorte
e que ela seja grande
para nao me passar despercebida
e não muito distante.

Admito que sonho acordada
mas muitas vezes
acordada
vivo meus sonhos.
Eu realizo.
É isso que dá nascer assim
com essa esperança nata
que tanto me nutre
e outros dias,
que tanto me mata.

Assim nao deixo de pedir,
nao que eu nao agradeça...
Mas vai que ele esqueça
das coisas eu que eu fico a aguardar.

uma boa pessoa

eu sou uma boa pessoa
eu sou uma boa pessoa
eu sou uma boa pessoa
eu sou uma boa pessoa
eu sou uma boa pessoa



uma boa pessoa pode não ser perfeita?

não há nada pior que fugir

não há nada pior que fugir
encare
chore
veja
analise
pergunte
volte atrás
vá pra frente
tenha medo
aja
aja mesmo com medo
não fuja
não finja
a terra é redonda
mais cedo ou mais tarde
você vai ter que encarar.

pra quando eu for música

se um dia eu puder ser outro algo
digo, coisa
quero ser música
letra e som

eu quero alcançar
os corações angustiados
e lhes dizer que os entendo
e que não estão sozinhos

quero falar de amor
amor de pai, de mãe
namorado
amigo
e vizinho.

quero que me toquem
e que eu possa tocar.
quero ser de fácil acesso
mas nunca me popularizar.

quero ser música para dançar
que os bebados se abraçem ao me ouvir
que os sozinhos
esqueçam da solidão
e que todos os outros
fechem os olhos
e se entreguem ao meu som.

quero eternizar
ser tocada em casamentos
e funerais.
formaturas não.

quero tocar escondidinho
nos ouvidos do apaixonado
aquele que teme
se declarar.

quero tocar alto
pelos mais esbaforidos
que se trancam no quarto
pra se encontrar.

quero tocar num táxi
que leva alguém triste embora
pra que eu lhe dê esperança
de um dia voltar.

quero tocar
entre lágrimas e sorrisos
quero tocar.